
E naquela tarde me perguntou: Já viu cair a chuva?
Respondi com os olhos. Já vira, mas enxergara-a pela primeira vez. Olhei para o alto, o cabelo encharcado,sentindo os pingos que atrapalhavam um pouco a vista, mas sentia-me confortável. Uma vontade me invadia, vontade de dançar, de pular de poça em poça. Recordava-me meus tempos de infância, das brincadeiras e gaiatisses em tarde chuvosas como essa. Outras lembranças varrem essas para longe. Lembranças de minhas loucuras, de cada vez que penso com saudade nos meus dias ao seu lado, e então eu enlouqueço. Esse dias não voltarão. Artimanhas do tempo que varre da mente a nessecidade da lembrança, que me varre do seu calendário. Fecho os olhos, na minha face forma-se um sorriso torto e tento sentir um beijo seu, molhado da chuva e das lágrimas que deixo cair, e então eu enlouqueço. E nessa vida mais louca que eu é quem diz que não sou feliz. Eu sou feliz.
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